Boas Intenções

 Boas intenções (2018) on IMDb
Existe um ditado que diz que “De boas intenções, o inferno está cheio”. Não sei se você já o ouviu. Refere-se ao fato de que, nem sempre basta ter boas intenções. Discordo, concordando. Mas, e quando estas boas intenções se tornam ações? Digo isso porque existe outro ditado (e desta vez, este tem um cunho religioso e foi proferido por Tiago, constando na Bíblia em Tiago 2:26 que afirma que “a fé sem obras é morta”. Pois bem, tudo nos leva a crer que precisamos sair da nossa zona de conforto e partirmos para a ação, transformando as boas intenções em boas ações, transpondo a barreira do apenas desejar e querer na direção do agir. Sim, concordo plenamente com tal afirmação e tal dinâmica. Até mesmo porque desejar, querer, planejar ou mesmo pedir (por meio de orações) é muito bom, muito bonito, mas sem a ação propriamente dita, não adianta de muita coisa.

A comédia dramática francesa “Boas Intenções” (Les Bonnes Intentions, no original), lançada em 2018, nos coloca a refletir sobre os aspectos e impactos que certas ações de caridade ou benevolência têm em nossa vida. Será que, ao se dispor a realizar uma determinada ação positiva a alguém ou a algum grupo de pessoas, eu estou sendo altruísta ou na verdade estou sendo egocêntrico em busca de notoriedade e aplauso. Claro, estou sendo bem direto ao apontar um dos aspectos do filme mas você que parar para assisti-lo entenderá o que quero dizer. Quantas vezes, ao doarmos algo a alguma instituição, pensamos que apenas isso basta. Que está tudo bem. Mas será que poderíamos fazer mais um pouco? E esse “mais um pouco” seria o suficiente? Quem é que mede se isso seria suficiente ou não? No longa teremos estas e e tantas outras questões éticas e morais que habitam nosso imaginário…

Mas vamos conhecer um pouco mais da história. Em Boas Intenções conhecemos Isabelle (Agnès Jaoui), uma mulher na casa dos seus cinquenta anos e que está sempre envolvida em uma série de trabalhos humanitários e causas sociais. Por meio de um projeto social, ela atua como professora de francês para imigrantes. Ao descobrir que seus alunos na realidade precisam de uma licença de habilitação, ela decide ajudá-los a passar na prova. Ao mesmo tempo, Isabelle precisa lidar com a própria família que reivindica mais atenção e a desaprova de certas escolhas pessoais.

No longa, boas ações, xenofobia e aversão a imigrantes, multiculturalismo e certos aspectos políticos e sociais estão mais que semeados. Vale de reflexão e ponderação nestes tempos onde tais temas estão em evidência (ainda mais em alguns países europeus – e por aqui também, não se engane).

Um spoiler disfarçado de crítica: o personagem brasileiro podia ter sido interpretado por um brasileiro genuíno e não um português. Garanto que existiam excelentes opções para compor tal papel, mas enfim… Fica pra próxima, não é mesmo?!

No momento em que escrevo, o longa está disponível no Amazon Prime Video. Também está disponível para aluguel no Youtube Filmes. O seu trailer pode ser conferido aqui.