Cinco Escritos Morais

“Cinco Escritos Morais” de Umberto Eco é, assim como em outras de suas obras, esclarecedor. Lançada em 1998, a obra reúne cinco ensaios em que o autor reflete sobre questões extremamente atuais, ligadas ao nosso tempo. São textos e transcrições de discursos de Umberto Eco, publicados em revistas literárias da Europa e dos Estados Unidos em períodos diversos mas que aqui se complementam, tornando uma peça única.

Já na Introdução da obra, o autor esclarece que “os escritos aqui reunidos têm duas características em comum. Antes de tudo são ocasionais, nascidos como conferências ou intervenções de atualidades. E, apesar da variedade dos temas, são de caráter ético, ou seja, referem-se àquilo que seria justo fazer, àquilo que não se deveria fazer ou àquilo que não se pode fazer em hipótese nenhuma.”

Os cinco textos apresentam elementos tão relevantes atualmente que chega a se desnecessário a defesa de sua importância. ‘Pensar a Guerra’ evidencia as diferenças entre as guerras do passado e as atuais. ‘O Fascismo Eterno’ nos dá uma boa ideia das aparências por vezes inócuas que as ideologias (como a fascista) assumem nos nossos dias. ‘Sobre a Imprensa’ aborda os problemas atuais da informação escrita, boa parte das vezes associada a meios mais sofisticados, como a televisão. ‘Quando Entra em Cena o Outro’ lança luz sob o livre-arbítrio, expondo de que modo a crença na vida eterna tende a condicionar o comportamento humano. ‘Migrações, Tolerância e Intolerável’ aborda temas tão necessários quanto pulsantes atualmente. Visita os problemas do crescimento, como o racismo, a xenofobia e a intolerância. Eco deixa claro que a intolerância mais terrível é a dos mais pobres, já que estes são as primeiras vítimas da diferença, enquanto pouco ou nada sofrem os ricos.

Umberto Eco nasceu em Alexandria em 1932 e faleceu em Milão em 2016. Foi um escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano de fama internacional. Publicou dezenas de livros e ensaios ao longo de sua vida. Uma de suas obras mais populares foi “O nome da rosa” (Il nome della rosa, 1980) que inclusive ganhou adaptação para o cinema, com Sean Connery e Christian Slater nos papéis principais.