
Registrada pelo antropólogo José Miguel de Barandiaran, apresenta um conto de fadas ao melhor estilo “O Labirinto do Fauno” de Guillermo del Toro. De fato, toda sua ambientação e história são retiradas diretamente de referências literárias, como a bíblia, o poema “O Inferno de Dante” e o folclore basco e conta ainda com dois pontos fundamentais que impulsionam grande parte do roteiro: a religião católica e o descontentamento dos bascos com o governo central. O filme é muito bem feito, com cenários deslumbrantes e uma fotografia impecável, que acompanha o clima de horror da Espanha dos anos 1800.
Outro aspecto interessante é o cuidado com a linguagem empregada no filme. Com trechos em basco, espanhol e francês, o narrador do filme, fala inteiramente no dialeto de Ataun, em tributo à localidade na qual se recuperou a lenda e onde nasceu o antropólogo José Miguel de Barandiaran, enquanto os demônios e Alfredo, por sua vez, para maior tom de formalidade, falam no euskara batua, norma culta do basco. O trailer do longa pode ser conferido aqui.
A história se passa no século 19, mais precisamente em 1835, no início da 1ª Guerra Carlista (1833-1840), em um século muito conturbado na Espanha. Durante 43 anos, a região passará por 3 guerras civis envolvendo liberais e absolutistas, sendo a região basca o palco de intensos conflitos. A trama segue com a chegada de um oficial do governo (Ramón Aguirre) em uma pacata vila basca, buscando investigar Patxi (Kandido Uranga), um ferreiro local que, desde o suicídio de sua esposa, vive recluso na sua casa no meio do bosque, sendo alvo de diversos boatos que circulam no vilarejo de que o ferreiro fez um pacto com o diabo na busca por imortalidade.
A direção é de Paul Urkijo Alijo que também assina o roteiro juntamente com Asier Guerricaechevarría. O elenco é estrelado por Kandido Uranga, Uma Bracaglia, Eneko Sagardoy, Ramón Aguirre, José Ramón Argoitia, Josean Bengoetxea, Gotzon Sanchez, Aitor Urcelai e Itziar Ituño.